sexta-feira, 26 de junho de 2009

Associated Press: Michael Jackson dies at 50

michael jackson fenômeno do pop mundial morreu midiaticamente na tarde de ontem de parada cardíaca enquanto brasileiros voluntaria e involuntariamente desocupados ainda comemoravam a vitória suada da seleção brasileira sobre a áfrica do sul gol de daniel alves de bola parada aos quarenta e dois minutos do segundo tempo colocou o brasil na final com os estados unidos no próximo domingo às quinze horas e trinta minutos horário de brasília mobilizada com a crise no senado cujos atos secretos favorecem parentes amigos e aliados do presidente da casa senador josé sarney não compareceu à sessão de ontem pedro simon pediu em tom dramático seu afastamento quando morreu midiaticamente michael jackson fenômeno do pop mundial de parada cardíaca enquanto daniel alves de bola parada colocou a crise no senado parentes amigos aliados da casa em tom dramático michael jackson pediu seu afastamento

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Notícia do Dia

"Capitão!!!! Michael Jackson pediu pra sair!"
"Ôôôô 01..., tá querendo me fudê?"
"E os ingressos que nós compramos para assistir juntinhos o show, em Londres?"
"Fala baixo, meu capitão..."

Cap. Nascimento e 01, amigos do blog, ainda descontrolados, depuseram.

Pensamento do Dia

Maicon Jécson é o caralho!
Meu nome é Zé Pequeno!

Zé Pequeno, amigo do blog, escreveu.

Lixo À Beira Da Estrada - Cap 5

Decidi impressionar minha futura cliente.
Era um risco mas, se acertasse, facilitaria as coisas para mim.
A VÍTIMA É SEMPRE ATRAÍDA PELO OLHAR DA COBRA!, lembrei.
Muitos golpistas, com quem convivi, já tinham falado a respeito.

"Senhora, já percebi que está decidida a muitas coisas.”
“Me corrija se eu estiver errado, mas se houver provas de adultério contra seu marido, a senhora pretende o divórcio, não é isso?”
“Além do poder de seu marido, sua sogra é mais poderosa do que ele e a senhora ainda não sabe como atingi-la, estou certo?”

Ela estremeceu.

“Wadson, como pode ser assim tão frio e observador. Por acaso, o senhor sabe quem eu sou?”.
Observei que, pela primeira vez, ela tinha falado meu nome.
“Não, senhora.”, disse-lhe.
“Tudo o que acabo de lhe falar, foi possível entender do muito pouco que ouvi.”
“A senhora tem um problema muito sério, muito delicado, que envolve sentimentos muito íntimos e reservados, mas que também envolve dinheiro. E...”, fiz uma pausa, “... pela sua aparência e elegância, o dinheiro envolvido não é desprezível.”

Me senti dominando a situação mas, enquanto eu falava, ela havia se recomposto. Por excesso de confiança, eu tinha baixado a guarda e iria pagar por isso.

“Estou impressionada com o que o senhor acaba de me falar.”

Acusei o golpe, mas não me fiz de rogado.
“É que eu conheço um pouco da natureza humana.”
Prossegui, “essa é uma frase de Balzac, foi apenas uma citação, não me queira mal.”

“Claro que não”, disse-me.
“Wadson, eu percebi sua preocupação em aparentar mais do que é. O cinzeiro de cristal baccarat, a citação de Balzac, as unhas feitas e o curso de inglês, em nível tão elementar, formam um conjunto harmonioso para qualquer advogado canalha.”
“Aliás, citando Nelson Rodrigues, TODO CANALHA É MAGRO!”
“Coincidentemente percebi, também é o seu caso.”

Ela conseguira me jogar nas cordas.
Poderia acabar comigo, virando as costas e indo embora.
Se ficasse, seria por causa de seus óbvios interesses, mas não me respeitaria e dificilmente eu estaria advogando para ela quando, por ventura, pusesse a mão no dinheiro.

Busquei uma saída. Uma frase que invertesse aquela situação desfavorável. Se aquela contenda fosse num ringue, naquele momento, quaisquer três juízes que não estivessem comprados de antemão dariam vitória à loura, por unanimidade.

Pensei num gancho de direita que poderia derrubá-la, fazendo com que eu ganhasse a luta.
Ou num golpe certeiro no fígado, fazendo-a sentir dor e, a partir daí, temendo outros golpes mais duros, eu conseguiria levar a luta até o final.
Se isso acontecesse ela me respeitaria. Face ao estrago que já tinha me feito, eu a respeitaria também.
Optei pela segunda tática e contra ataquei, ainda nas cordas.
Intencionalmente tratei-lhe pela terceira pessoa.

“Eu sei que você está sendo humilhada!”, conseguindo que ela recuasse.
“Sua bolsa Louis Vuitton está com o couro soltando na parte inferior”, acertando-lhe o fígado.
“Seus óculos Gucci já saíram de linha há pelo menos 5 anos!”, levando-a para o meio do ringue.
“Se quiser, eu posso ajudá-la, mas você vai começar dizendo o seu nome!” , parando de fustigá-la.

Para a minha surpresa, ela foi além.
“Meu nome é Maria Holanda Swanson. Swanson é da família do meu marido.”
“Mas meu nome de registro e verdadeiro é Marialva Santos”, completou.

Soou o gongo, a luta terminara.
Empate!

Entendi que seria a melhor ocasião para oferecer-lhe um drink.
“Olha", disse-lhe, "no frigobar tenho refrigerante, água mineral, soda, gelo e vodca importada. Tenho tambem uísque escocês e “John” Daniels. Aceita alguma coisa aqui ou aceita um convite para um drink, num bar próximo daqui?”
“Acho que um bar próximo, seria muito bom.”
“Posso usar seu banheiro?”
“Claro, sem problema.”

Aproveitei para examiná-la enquanto se afastava. O salto muito alto tirou-lhe um dos adjetivos que lhe dera, alta.
Os peitos com silicone, os lábios grossos demais e o quadris largos indicavam que não era loura.
Nem fudendo!

Abri a gaveta de minha escrivaninha, peguei o espelho redondo: de um lado normal, do outro aumento, para espremer meus cravos.
Minha aparência, meu cartão de visita, sempre repito.
Ajeitei o cabelo rapidamente, joguei na boca duas “Valdas” e fui fechar a janela, enquanto a aguardava.

Já havia escurecido.
Descemos, escolhemos o bar e entramos.

Aureliano Mailer escreveu.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lixo À Beira Da Estrada - Cap 4

Naquele fim de semana, depois do encontro no trailer com a cartomante e sua amiga, minha cabeça não parou. E continuou me atormentando por toda a noite, até que comecei a lembrar-me do meu passado.

Fui um aluno razoável na escola de 1º. grau em que estudava.
Minha mãe era muito severa comigo e com minha irmã.
Como eu era muito magro e franzino as merendeiras da escola passaram a cuidar de mim, a deixar que eu levasse sobras pra casa e a me fazer agrados. Eu retribuía com um sorriso que funcionava.
“Olha Maria, que guri estropiado!” e me abraçavam com fartura.
Como eu era pequeno, muitas vezes durante os abraços, eu me via com o nariz e as órbitas dos olhos enfiadas no meio daquela peitança, coberta pela blusa suada delas.
Com as professoras não era diferente e em troca da atenção, fazia os deveres e colaborava com elas.
Ganhava lápis, caneta BIC e, às vezes, um beijo com marca de batom.

Minha mãe era muito franzina e não se pintava nunca. Usava saias compridas, frequentava uma igreja batista e me obrigava a ir. Diziam que eu era parecido com ela.

Portanto, meus sonhos eróticos ficavam com as mulheres da escola. Tive muitos sonhos em que eu acordava suado, sufocado com os peitos da merendeira mais gorda ou esmagado pela professora da bunda grande. Na época, não sabia o que fazer com o assunto e minha irmã, 4 anos mais velha. Nunca se propôs a me ensinar nada a respeito.

Ser abraçado daquela maneira pelas mulheres, eu nunca esqueci.

Depois dos 9 anos comecei a me soltar, a ficar até mais tarde na rua, a viver com qualquer moleque do meu bairro. Depois dos 13 anos comecei a crescer, a querer bulinar as amigas de minha irmã, a experimentar todas as coisas possíveis para dar prazer à minha mão e ao meu pau.

Até ir viver com a coroa, a minha vida sexual era igual a de todo mundo do meu bairro em São Gonçalo. Tirar sarro com as minas do bairro, transar de vez em quando com a Laís, que era magrinha, ossuda, mas era a única que dava pros meus amigos e pra mim. Ficar sonhando em sair com as popozudas, mesmo sabendo que elas só estavam afim de quem lhes pudesse bancar algum, um papelote, um rolé de moto ou uma blusa de shopping, sei lá.

Quando chegou a época do alistamento compareci com falta de peso e fui recusado sob a alegação de excesso de tropa. Minha mãe ficou desolada, sem saber o que fazer comigo. Pedi-lhe mais uma vez para conhecer meu pai e ela disse-me que era para eu esquecê-lo, que ele era muito rico e ele não ia querer saber de mim.
Conclui o 2º. Grau tentando ainda agradá-la.
Porém, na semana antes do Ano Novo, conheci a coroa e passei com ela o Réveillon, vendo os fogos do Aterro do Flamengo.

Enquanto isso, minha irmã tinha virado popozuda com tudo o que isso representava na periferia.

Minha coroa era estribada, nortista, dente de ouro na frente, celular na cintura e perfume barato no pescoço. Ela era rude, tinha muito mais dinheiro do que qualquer pessoa com quem eu tivesse convivido até então. Dava um duro danado e me ensinou a correr atrás, que nem ela, para poder usufruir daquilo tudo. Ajudei-a no que pude, arranjei mais fregueses, conseguia no papo diminuir a propina pra fiscalização e com os PM’s que nos davam cobertura fiz amizade que nos custava muito pouco. A coroa sabia reconhecer o quanto lhe ajudara na responsabilidade e no coração.
À noite, quando se deitava comigo, era carinhosa. Gozava com muito esforço, mas, quando conseguia, se ajeitava toda a meu lado, seu corpo amolecia e me chamava de Zé, meu Zezinho, Zeca e enfiava a língua no meu ouvido.

Várias vezes tentei corrigi-la dizendo que meu nome era Wadson, mas com o tempo me acostumei. Sem dúvida ela não me lembrava as merendeiras com quem eu sonhara.

Depois de muito tempo, contei-lhe a história do meu pai, que era rico e que eu não conhecia. Ela não pareceu se surpreender. Tempos depois me falou da faculdade de direito, que eu deveria me inscrever e cursar, para somente então, já formado, me apresentar diante de meu pai.

Assim que pude, fui a São Gonçalo visitar a minha mãe, contar-lhe a novidade que a coroa ia me proporcionar. Ela ficou muito feliz por mim, mas, ainda assim, pareceu-me triste como nunca. Tentei arrancar-lhe o que era sem sucesso. Na saída, encontrei nossa vizinha que acabou me dizendo que minha irmã tinha saído de casa para morar com Nilson, colega meu de rua que agora era membro importante do “movimento”.

Deixei um dinheiro com a minha mãe, disse-lhe que era dinheiro honesto, que trabalhava no trailer com a coroa e que ia levá-la para bem longe dali assim que eu me formasse. Pedi-lhe somente para não dar parte do dinheiro para a igreja.

Voltei para o centro do Rio, no ônibus São Gonçalo - Passeio. Embarquei no ponto inicial e ia saltar no ponto final. De lá, chegaria caminhando até a casa da coroa, onde eu morava. Um único ônibus ligando dois mundos tão diferentes.

Amanhecia quando finalmente consegui dormir. Sonhei que estava com a cara enfiada nos peitos da cartomante gostosa, só que agora eu já sabia o que fazer depois.

Aureliano Mailer escreveu.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Lixo À Beira Da Estrada - Cap 3

"A primeira coisa que o senhor precisa saber, é que amo o meu marido!" – disse-me a loura.
Evitei manifestar a impressão que a frase trouxe ao ambiente. Passei os dedos sobre o bigode. Era a preparação de um blefe.
Do outro lado da escrivaninha, ela me olhava buscando algum sinal.
Pedi-lhe que prosseguisse.
"Ele está ameaçando me deixar ... a mim e a nosso filho! "
"Como assim?", perguntei tentando incentivá-la.
Ela não caiu na isca.
"Ele diz que tem vergonha de mim! Eu constantemente me sinto humilhada! E nós nos dávamos tão bem..."
"E a traição que a senhora mencionou?", sabendo que ela acharia que eu estava me convencendo de seu relato.
"Ele...não tem me procurado, à noite."
Resolvi testá-la.
"Mas senhora, quem sabe uma terapia de casal... "
A resposta foi ríspida.
"Porque o senhor acha que eu entraria nesse prédio velho, ficaria sentada nesse escritório poeirento, na frente de um ... Desculpe-me, não preciso de terapia de casal, o senhor já deve saber que eu não vim aqui para isso."
Relaxei.
Ela se desarmara.

"Posso fumar? "
"Fique a vontade. "
Peguei o isqueiro de mesa, peça elegante e incomum que veio no pacote do aluguel, assim como quase tudo dali.
Acendi-lhe o cigarro.
Levantei-me, caminhei até a estante e trouxe-lhe o cinzeiro de cristal baccarat.
Percebi que estava sendo avaliado, conheço as mulheres e elas me deixam tenso.
Deixei que me visse de lado e de costas.
Sou alto, corro 4 a 5 vezes por semana, evito beber chopp em demasia.
Minha aparência, meu cartão de visita, sempre repito.

Perguntei se ela se incomodaria de eu fumar.
Fingindo indiferença, respondeu que não.
Fui até a janela para abri-la um pouco, afastei a cortina para o ar fresco, da tarde de inverno, entrar.
Sentei-me de volta, dei uma longa tragada.
O raio de sol cruzava o escritório e nele a poeira em suspensão subia e descia insinuante.
Olhei para a loura que estava menos tensa.
A bolsa já tinha sido colocada na cadeira ao lado.

"Engraçado, disse ela, há anos não fumo na frente do meu marido..."

Aureliano Mailer, escreveu.

Lixo à beira da estrada – Cap. 2

Sou mestiço social.

Minha mãe era da periferia, sempre foi pobre, morreu pobre. Era mãe solteira de minha irmã e de mim.
Meu pai morava em Ipanema, era de família rica, nasceu rico, morreu rico.

Minha mãe trabalhava na casa dos pais dele. Meu pai, quando engravidou minha mãe era casado, tinha 2 filhas pequenas. Minha mãe contava que meu pai não morava lá. Só ia à casa dos pais dele, nos fins de semana. Ainda assim, a engravidou. Naturalmente, não apoiou minha mãe quando a barriga dela cresceu demais. Deixou que fosse humilhada e expulsa de lá. E continuou casado, eu acho.

Com o tempo descobri que nessa miscigenação social ninguém nasce mulato. Ou nasce pobre ou nasce rico.

Eu fiquei em Itaúna, São Gonçalo.

Em outras palavras, eu fiquei no lado social da minha mãe.

Odeio ser chamado de mulato. Mulato é o caralho!

Ainda assim, tentei escapar.

Quando já era adolescente eu frequentava a Praia do Flamengo. Foi por lá que eu conheci uma coroa. Ela tinha um trailer com freguesia fiel, me deu boa vida e fui me ajeitando com ela. Com o tempo, me incentivou a fazer o vestibular, pagou uma faculdade de direito perto do Campo de Santana e em troca, lhe dei minha juventude. Nos divertíamos na rua quando casais de caretas nos olhavam com desaprovação. Eu a chamava de tia, tascava-lhe um beijão na boca e caíamos na gargalhada. E graças a ela, descobri meu destino.

Em uma tarde, de meio de semana, levou-me a um apê de sala e quarto de uma cartomante na Rua do Matoso, perto da Praça da Bandeira, a quem pagou para que fizesse meu mapa astral. Uma semana depois, voltei lá sozinho, depois de sair da faculdade. Nesse segundo encontro, descobri que ela não era cartomante, que meu ascendente era em Sagitário, que a mulher era bem mais gostosa que a minha coroa e que minha lua era em Aquário. Os odores de incenso e o perfume forte que ela tinha, eu nunca tinha sentido. Ela disse que minha vida ia mudar em breve e que eu era um sonhador. Passou a mão no meu rosto de um jeito estranho, disse-me que eu tinha cara de sonso. Ela tinha uma mão macia, grande e quente.

Disse-lhe que precisava voltar para o trailer, pois era sexta-feira e o fim de semana iam ser de trabalho. Perguntou-me onde ficava o trailer. Expliquei. Sorriu dizendo que não costumava freqüentar a praia do Flamengo, mas que talvez passasse por lá, só pra me ver. Fiquei em pé, junto à porta de saida, paguei-lhe o combinado e saí desgovernado.

Peguei o ônibus errado, cheguei tarde ao trailer, com a cabeça latejando e acreditando em cada palavra que ela tinha me falado. Minha vida ia mudar.

Passei a noite trabalhando e falando pouco, a coroa notou, quis saber o que era, disse-lhe que não era nada. Quando o movimento acabou recolhemos tudo, fechamos o trailer e fomos para casa dela, que ficava a uns 2 kms dali, perto dos Arcos. Como percebi a inquietação da coroa, para não dar bandeira, me aconcheguei a seu lado e transamos com sofreguidão. Passado um tempo, ela adormeceu e eu não.

Saí sem barulho do quarto e fui fumar no quintal. Passei a noite pensando em meu pai. E se ele me reconheceria como filho. Dali a 1 ano eu iria me formar e ele me arranjaria um emprego bom. Fumei mais um cigarro e fui me deitar.

O fim de semana seguiu normalmente, o gelo, a cerveja, os clientes antigos e novos, a preocupação com o calote, o “agrado” à fiscalização municipal, o cheiro de gordura, a água fria do mar, o esgoto a céu aberto, tudo tão perto de nós.

Em meio à muvuca de domingo, de repente senti a mão macia, grande e quente segurar meu braço. Virei-me, sabendo quem era. O sorriso dela estava ainda mais largo e generoso. Sorrindo, pediu-me uma cerveja com dois copos apontando para a mesa 3. Estava com uma amiga tão ou mais gostosa do que ela. Fui servi-las e percebi que falavam de mim. Disse-me para que eu passasse na casa dela na terça-feira seguinte, depois das 13:00. Jogaria Búzios para mim.

Perguntou-me quanto era. Pagou a cerveja na hora e me olhou de cima a baixo.
Gelei. Voltei para o trailer, conversei com a minha coroa qualquer coisa sem importância. Meu pau ficou duro, terrivelmente. Fui para trás do trailer, mexi no gelo, tentei me acalmar e assim que pude, voltei. Disfarçando, olhei em direção a mesa 3. Estava vazia com a cerveja ainda nos copos.

Fui até lá recolher os copos e a garrafa, buscando enxergá-las mesmo que a distância. Não as vi. Bebi a cerveja que restava no copo, enquanto as procurava. Nunca faço isso, mas aquela situação tinha me tirado do sério. Fui para trás do trailer. Enchi seu copo com o que restava na garrafa. Escolhi colocar minha boca sobre a marca de batom que ela havia deixado. Ainda alterado, fiz o mesmo com o copo da amiga.
Ela estava certa, minha vida ia mudar.

Aureliano Mailer escreveu.