terça-feira, 20 de outubro de 2009

Chica e Elme: EPÍLOGO


...mais 2 meses se passaram, desde que Elme havia enviado o e-mail para Chica, com cópia dos recibos de depósito, em anexo.

Chica tinha ficado desconcertada, mas suas amigas entendiam que ela tinha que se manter firme, que o melhor seria deixá-lo sem resposta.

Entre altos e baixos, ela estava se sentindo mais forte, sem alguém como ele que mordia e assoprava, que beijava e reprimia qualquer chance de aproximação, qualquer chance de acolhimento.

Aspira Chica se convencera de que era feita de pedra dura.

Pobre dos infelizes que cruzaram seu caminho. Ela tinha munição para todos.

Estava exausta do personagem e não sabia.

Tinha amigas, amigos, ficantes, cigarros e destilados.

Após uma noitada de fim de semana, chegou de madrugada em casa com um carinha para trocar um amasso, acordar no domingo, inventar uma desculpa qualquer e mandá-lo andar.

Como hábito dos que moram sozinhos, olhou para a secretária eletrônica para contar as ligações.

Eram 8!

A maioria de seus amigos estava no bar com ela e sua mãe lhe ligara para o celular, à meia noite dizendo que ia dormir e sugerindo que ela não bebesse... mãe é tudo igual, ela sabia.

Quem teria ligado tantas vezes ou porque tantas pessoas teriam ligado em tão pouco tempo?

Se agisse como os homens agiriam, ouviria os recados no domingo, depois de se livrar do carinha.

Se agisse como as mulheres agiriam, disfarçaria e ouviria pelo menos algum deles caso tivesse uma chance.

Como tinha virado pedra dura partiu para o amasso...

Domingo de ressaca, após dispensar o rapaz nem se lembrou da secretária eletrônica...

Foi sair com as amigas, durante o almoço acabou lembrando dos recados, mas não quis comentar com elas.

Voltou para casa sozinha, pra lá das 8 da noite.

A secretária apontava 9 recados.

Todos eram do Elme, que havia voltado naquele sábado, bem tarde e, ao que parece, queria saber como ela estava...

domingo, 18 de outubro de 2009

Chica e Elme, Penúltimo Capítulo: "Tentei ligar pra você..."









Para: aspira.chica@uol.com
De: elme.bastos@tvglobo.com
Assunto: Comprovantes de depósitos

Chica estou lhe enviando esse e-mail, com todos os comprovantes de depósito, em anexo.
Eu tentei lhe dizer o que estava acontecendo, mas voce nunca me atendia.
Eu deixei vários recados na secretária eletrônica, lhe dizendo que eu estava com o seu cartão e pedindo sua autorização para usá-lo, pois "porraqui" em Corumbá, ninguém tem maquininha da Redecard, do meu cartão, mas aceitam o seu, VISA.
Os bancos entraram em greve e rapidamente acabava o dinheiro no caixa eletrônico.
Estou na periferia de Corumbá, ok? Em Lagoa do Cáceres, tá? Quase na fronteira com o Paraguai...
Não estou preso, mas é quase isso, estou num revezamento com outros 2 câmeras 8 horas por 16.
Conosco se revezam seguranças para nos proteger e sabe porquê?
Porque o diretor quer gravar o nascimento de uma prole de jacarés e a jacarôa está cuidando do ninho.
A jacarôa está se acostumando comigo e fica toda exibida no sol quando estou por perto!
Não acredita?
Pode acreditar...
Clique, 2x, na figura que coloquei no post anterior Chica, tem uma animação dela.
Eu fiz essa animação para você!
Ah, e a cada retirada que fiz com seu cartão, fiz depósitos na sua conta!
Mas, pelo jeito, voce não ligou uma coisa a outra, Chica.
Chica, esse papo que homem é tudo palhaço é uma bobagem!
É que a gente não pode se levar muito a sério, eu acho.
Desculpe, se voce teve que cancelar o cartão.
"O orelhão da minha rua estava escangalhado... mas você crê se quiser!!!"
P.S.: Comprei na fronteira algumas garrafas de Prosseco Italiano pensando em voce.
P.S.: E o valor daquele nosso jantar maravilhoso também depositei na sua conta!

Besos,

Elme

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Chica e Elme Cap.V - Mais do mesmo...


-Alô? Quem é?
-Chiiica?
-Claro, queria falar com quem, ligando para a minha casa tão tarde!
-Chiiica, é o Elme! O Elme Bastos, seu vizinho!
-Putz Elme, a essa hora! Que horas são?
-Ééééé...quase duas horas da manhã.
-Tá e aí, voce sumiu, mais uma vez!
-É que estou viajando a trabalho, direto, há quase 2 meses...
-Ah, já sei, algum de seus amigos comentou...
-Chica, você ainda está aborrecida comigo?
-Não, nem sei, porque ficaria?
-Puxa, você nem lembra?
-Elme qual é, você, carente?
-Não, não, claro que não, imagina, mas estou aqui em Corumbá, de saco cheio e vendo jacaré, paca, tatu ...
-Elme, você está aonde???????
-Em Corumbá, Mato Grosso do Sul.
-Então foi você seu f-d-p que ficou com o meu cartão de crédito com chip?????
-Calma, Chica foi no restaurante lembra, você me deu seu cartão para que eu pagasse a conta, fingindo para o maître que eu era um cavalheiro pagando um jantar para uma dama...
-Pôrra Elme, então é você que está usando o meu cartão em Corumbá, caralho! Puta-que-o-pariu, Elme! Você estourou o meu cartão, Elme! Eu tive que cancelar o meu cartão! Mas eles não vão me ressarcir porque VOCÊ ESTAVA USANDO A SENHA CORRETA!
-ELME, DEVOLVE O MEU CHIIIIIP!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Chica e Elme Capítulo IV : O telefone tocou novamente...


Elme ligou melancólico para Chica.
Estava desarmado, o ego espetacular murchara e ele estava sem aquele viço costumeiro.
Trabalhando longe de casa e longe do afago carinhoso das mulheres que o assediavam, insistentemente, no Rio de Janeiro, os quase 2 meses cobravam seu preço.

A mãe e a irmã que sempre o adularam, tinham viajado num cruzeiro de navio pela costa brasileira do Rio a Montevidéu. Estava frio por lá, chovia e elas estavam horrorizadas com a roubada em que haviam se metido.
Quando falavam com Elme , não queriam saber de como ele estava e sim falar de como elas estavam...

Não tinha sido assim, que Elme havia sido criado por elas!

Pobre Elme!

Confinado na gaiola do que realmente era, sua voz estava um fiapo.
0-2-1-2-1-2-2-6-6-..-..-..-..
Trimmmm! Trimmmm! Trimmmm! Trimmmm!
Sclap, tlap, scalap!
-ALÔ...DEIXE SEU RECADO!
Elme desligou rápido, era muito mico deixar qualquer recado decente para Chica, com a voz insegura!

Saiu do hotel, tentando se distrair.
A cidade não ajudava, os papos e as pessoas também não...
Após 2 horas de desânimo, voltou para o hotel, sentou na cama, olhou para o telefone com aquela insegurança típica de quem não quer repetir um gesto de desamparo.
O pior de um gesto desses, não é expor para terceiros. Não era o caso, estava sozinho.
O pior era expor seu estado, a si mesmo.

Elme trancou a porta do banheiro e a porta do armário, evitava assim se olhar no espelho, cair em si, ver-se naquele estado lastimável.
Sentia saudades da Aspira Chica de Holanda e Vodka!
Sentia saudades da Aspira Chica Prosseco Gelado!
Sentia saudades da vizinha especial que não saía de sua cabeça: Chica Dá Silva!
Nunca na história daquela cabeça espirituosa e daquele coração duro, se sentia arrebatado, por uma “porra loca” feito ela.
O álcool lhe deu coragem e inspiração.
Ia pedir uma chance de reconciliação!
Pobre Elme!

0-2-1-2-1-2-2-6-6-..-..-..-..
Trimmmm!!!

sábado, 26 de setembro de 2009

Pensamento do Dia

É dando... que se engravida!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Capítulo III : Chica se diverte e Elme reflete

Se havia motivos para uma reconciliação entre Elme e Chica, a vida se encarregou de dificultá-los.
Chica continuou sua vida normal.
Era uma mulher risonha, interessante, de pensamento rápido e razoáveis opiniões para muitos assuntos. Financeiramente independente, morava sozinha, recebia uma força de seu pai para o aluguel do apê e não aceitava nada mais do que isso. Não que o pai não pudesse, mas essa era a forma que ambos encontraram para conviver melhor. Ao ajudá-la ele lhe dava amparo, respaldo e amor e ela, ao não aceitar mais nada além disso, aumentava a admiração de seu pai por ela, ao mesmo tempo que lhe impunha limites.
Pai e filha se davam bem.

Elme ganhava menos do que Chica. Não era ambicioso. Mas como morava com os pais, tinha carro, roupa lavada-e-passada e mais dinheiro para gastar. O carro era de sua mãe mas esse era um detalhe que ele, naturalmente, ocultava.
Mais comum, eu diria, impossível.

Elme tinha uma irmã cerca de 5 anos mais nova. Ela e a mãe eram as responsáveis diretas por erguer aquele poderosíssimo ego que ele trazia consigo. Elas adoravam o irmão e o filho e diziam que ele estava cada vez mais bonito. Os três se pareciam!
Elme era inteligente, simpático e alegre. Com essas qualidades compensava sua feiúra com uma lábia sem igual. As mulheres gostavam de estar ao seu lado, ele sabia valorizá-las, “et pour cause”, não lhe faltava companhia.
Contudo era muito volúvel, ou “muito volátil”, como gostava de dizer. As mulheres que quiseram domá-lo, prendê-lo, surrupiá-lo da vida mundana se decepcionaram e, as mais ressentidas, que felizmente não eram muitas, chamavam-no de “galinha”. Houve um momento, onde algumas das “ressentidas” tentaram se unir para formar a SOCIEDADE DAS MULHERES QUE SOFRERAM COM ELME, mas acabaram brigando entre si, desconfiadas umas das outras, disputando quem tinha sofrido mais...

Logo após ter aprontado, mais uma vez com sua vizinha Chica, Elme foi encaixado na produção de um programa que o deixou fora do Rio e de circulação por quase 3 semanas.
Chica não soube disso, porque não tinham relação estabelecida para receber esse tipo de satisfação de Elme.

Nesse ínterim, ainda que ressentida, Chica não perdeu o brilho. Passarinhos e gaviões esvoaçavam em sua volta, as vezes juntos...

Chica era livre e desimpedida para suas escolhas e seguiu em frente. Curtia filmes dark.
Lia muito, quadrinhos inclusive, bebia tanto quanto os rapazes e, pelo menos uma vez por semana, exagerava no álcool. Seu apê era num prédio antigo e tinha uma banheira com cortina, ao invés de box. Não é preciso dizer que Simone de Beauvoir e Rê Bordosa estavam entre suas referências.
Chica tratava sua principal fraqueza, a baixa auto-estima, com álcool e a negação sistemática a devaneios românticos.
Elme a atraia por um jeito transverso. Ela já sacara que ele era confiante e carinhoso. Ela já vivenciara isso algumas vezes ao seu lado e sentia-se bem com essa “transfusão de auto-estima”.
O problema é que ela mesma, não queria ninguém pegajoso aos seus pés e ele, provavelmente, também não.

Enquanto isso o Elme, caiu na estrada. Longe do agito da cidade grande, longe dos bares e do ANTIGAMENTE, andou pegando geral e óbvio, encarou muita roubada.
Ao término da segunda semana , estava melancólico.
Resolveu ligar para Chica, tentando consertar a lambança.

sábado, 19 de setembro de 2009

Chica e Elme Capítulo II : Reflexões a sós


Elme Bastos custou a ver a ficha cair. Quando pensava no programa que fizera ao sair com a sua “peguete” e vizinha, Aspira Chica, valorizava todos os aspectos positivos daquela tarde/noite de domingo: o Prosseco italiano ultra gelado, a improvisação que fizeram para arrumar um balde de gelo que mantivesse a preciosa bebida à temperatura adequada, a sensacional dança indiana que Chica protagonizou, o lenço de seda dela que ele colocou por dentro de sua camisa de gola, a pose de galã que fez deixando-o a cara do Bahuan, a Chica teimando que quem usava lenço na novela era o Radji enfim, muitas lembranças agradáveis para um desfecho mal humorado da Chica.
Elme demorou mas entendeu, finalmente, que poderia ter sido melhor confessar naquele dia, que estava no ULTRAVERMELHO de seu cheque especial.



Chica por outro lado estava puta com ela mesma.
A questão principal era uma excessiva autocrítica por ter caído mais uma vez na conversa mole do Elme. Logo com ele, que não melhorava e volta-e-meia armava no final.
E tome enxurrada de frases feitas:”Homem é tudo igual.”, “Esse Elme é muito babaca, muito autocentrado.”, “Eu devia deixar de ser boba e voltar a sair com fulano que me valoriza.”, “Como mulher é burra!” e vai por aí a fora...

Repetia assim a dialética feminina que as deprime e não as deixa sair do lugar, eu diria.
Acontece que a vida não é reta.
Nas relações, 1 mais 1 é muito mais do que 2 e ela, mulher vivida e descolada, sabia perfeitamente disso. Na época, Chica ainda não chegara aos 30 anos.

Diferentemente do Elme, somente quando a raiva começou a passar, foi que ela deixou que as lembranças de domingo fossem se arrumando em sua cabeça, uma a uma.
Não... ela não tinha a menor idéia da procedência do Prosseco.
Ela sabia que era rosé e que o Elme havia dito que combinaria com ela.
Podia ser mentira, mas ela acolhera o comentário “com um sentimento bom”.
Quem é mulher sabe do que estou falando.
O Elme era muito engraçado, ridículo até, mas fora muito carinhoso na cama, soubera conduzi-la, soubera esperá-la e o sexo fora de fato muito bom, não dava para negar.
Percebeu que fora ela que havia insistido para eles irem ao cinema e também para que fossem jantar, conforme combinado. Lembrou que ele tinha insistido para que ficassem no apê dela, que pedissem uma pizza e certamente aí, ele bancaria.
Não havia dúvida, de puta com ele passou a se sentir culpada!
Sua convicção, tola eu diria, vinha do fato dele ter pago o táxi e o cinema.
Acabou imaginando que ele, por vergonha, não quisesse confessar para ela que não tinha dinheiro para bancar tudo.
Ela sabia que homem tem um monte de dificuldades com isso, mas no dia, na hora, ela se sentiu usada, manipulada e ficou $#@&!!! com ele.

Esse pensamento feminista de que a mulher precisa se dar valor, mais uma vez atrapalhara sua vida, que poderia ter seguido mais leve, pelo menos ... pelo menos naquele encontro com o Elminho.
Foi procurar a foto que tinha do Elme na festa a fantasia onde se divertiram até....
Ela fizera muito sucesso, fantasiada de Rê Bordosa aliás, bebera todas!
Mas o Elme, aliás Radji, aliás Antonio Banderas, aliás punk..., sem comentários!

Chica saíra da trincheira-do-auto-patrulhamento-intelectual-feminista e agora, as boas lembranças do encontro estavam aflorando em sua cabeça, sem controle.

Aureliano Mailer é um observador da alma humana e o Elme, seu amigo, contou-lhe parte dessa estória...